Hoje o ensino musical está muito ligado a Educação Musical e ao Entretenimento. O prazer de tocar um instrumento e a possibilidade de com poucos conteúdos musicais o aluno já poder tocar tudo que faz parte do seu mundo musical, tem trazido uma democratização no ensino musical. Não precisa ter talento musical e nem horas de estudo de instrumento para se fazer alcançar os desejos musicais da maioria dos alunos. Como em tudo na vida temos uma lado bom e um lado ruim…

Dessa forma e dentro da minha realidade de trabalho, vejo que os alunos que desejam ou sonham se tornar profissionais da música tem diminuído muito. E se torna raro aquele que deseja profissionalizar buscando o máximo de conhecimento e da técnica instrumental. Pois para isso existe duas coisas muito raras nos dias de hoje, tempo e dedicação.

Isso é muito relacionado a mediocridade: “mediano, ordinário, insignificante, vulgar, sem mérito, aquele que está entre mau e insuficiente” estamos vivendo numa sociedade onde alcançar a média já está ótimo.

A mediocridade está em voga e o foco é esforço zero com o máximo de rendimento. Segundo Marcos Meier estamos vivendo uma Síndrome da Mediocridade.

As artes estão muito afetadas por essa nova Síndrome que impera em nossa sociedade, pois nas artes o esforço é o máximo e as vezes vemos os resultados, mas essa busca pelo Belo é que faz das artes a maior evolução do ser humano. Como será o futuro?

Cada dia vejo mais os alunos procurando fazer tudo numa média muitas vezes nivelado pelo mínimo e isso não fará ele tocar o instrumento musical com o máximo do potencial humano. A busca é tocar aquilo que é simples e sem muito esforço e se algum esforço for exigido logo a desistência é certa. As famílias não incentivam ao esforço máximo em uma determinada coisa, as crianças fazem muita coisa, muitas atividade e compromissos, mas de forma medíocre. Amplia-se a visão do todo e não se foca em uma determinada aptidão. Dentro dessa análise não consigo ver se o ser humano está ganhando com isso, mas tenho certeza que as Artes estão perdendo grandes talentos.

O conhecimento não é o foco quando se procura um professor de música e sim o milagre. O milagre de fazê-lo tocar aquilo que ele deseja no menor tempo possível e da forma mais simples possível. Isso acontece também com aqueles que querer se profissionalizar e a busca é pelo mínimo. Precisando ganhar dinheiro com o mínimo de conhecimento e quando sente falta do conhecimento procura a ajuda de um profissional que resolva os problemas dele sem exigir maiores esforços. Cada vez pessoas menos preparadas e com a missão de passar isso adiante.

Vejo que com esse panorama o futuro do desenvolvimento musical e da técnica instrumental será minimalista e quase nula. Aquilo que se acalçou no passado nem pode ser reproduzido novamente e as grandes obras serão registrados por poucos ou quase ninguém.

Mas eu não tenho essa visão de toda a humanidade, é uma visão restrita a uma parte da sociedade de onde vivo e não sei se ela espelha as mudanças que estão acontecendo com o Homem e não imagino que no mundo isso também esteja acontecendo de forma sistemática, se for o caos nas artes está profetizado.

 

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